sábado, 7 de junho de 2008

Anúncio português premiado internacionalmente.

FONTE da Foto: http://news.bbc.co.uk/olmedia/380000/images/_382906_child_300.jpg

O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.
Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?
Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.
Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.
Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.
Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.
Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.
Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.
Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.
Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.
Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.
Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.
Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis palavras...
"Eu lamento muito!", eu gritoMas já é tarde demais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.
O mal e as feridas mais e mais,
"Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!
"E finalmente ele pára, e vai para a porta,
Enquanto eu fico deitada,Imóvel no chão.
O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai ‘matou-me”.
Esse anúcio retrata com exatidão a penosa situação de Violência Doméstica porque passam crianças e adolescentes cotidianamente em nosso país. Precisamos unir forças no sentido de modificar essa triste realidade e de construir uma cultura de proteção aos direitos de crianças e adolescentes.
Todo ato de violência contra a criança e o adolescente começa com dor e sofrimento e não pode terminar no silêncio. É preciso DENUNCIAR... DENUNCIE!!!

7 comentários:

Raimundo disse...

Gostei muito do texto. é uma pena saber que muitas crianças vivem como a Sara sofrendo com a violência aplicada pelas pessoas que deveriam mais ama-la.
Parabéns pelo blog..

abraço.

Nonato.

Sandocleber disse...

Olá Nonato,

Seja bem-vindo! E obrigado pela visita.
Há muitas Saras no mundo esperando por alguém que as ajude a sair dessa condição de objeto que a violência doméstica impõe. Precisamos modificar essa realidade. Conto com sua participação nessa luta indispensável.

Abraço,

Sando

Geni disse...

Olá Sando:

iAdiós al Palmazo!
Lo que los niños del mundo ya han aprendido

Pegarle a un niño es el deporte favorito de padres y madres en el planeta tierra.
Aunque siempre haya sido así no necesita continuar siéndolo, pues todo niño es un ser humano con derecho a proteción especial.
El niño no puede ser visto como un objeto. El niño tiene voluntad propia y debe ser respetado. Pegarle a un niño ya pasó. El niño necesita diálogo y amor.

" Déjenme crecer como soy:
Intenten comprender por qué deseo crecer como soy;
No como mi madre quiere que yo sea;
Ni como mi padre espera que seré;
O como mi profesora piensa que yo debería ser;
Por favor, intenten comprenderme y ayúdenme a crecer.
Así como soy."

Autor desconhecido

Como pode observar, todas as crianças, brasileiras ou não expressam o mesmo desejo, ou seaja, crescer com amor e respeito.

Um grande abraço,

Geni Souza

Sandocleber disse...

Olá Geni,

Obrigado pela visita e pela contribuição. Sempre acrescentando algo relevante! Adorei o texto... é uma pena não conhecermos o autor!

Abraço,

Sando

Anônimo disse...

Olá Sandocleber

DÓI MAIS QUE TAPA.
(Muitos se escandalizam diante das estatísticas de violência doméstica, sem se dar conta de que a agressão verbal é outra forma de ataque.
Leonardo Demontier

Como você é lerdo!
Bem feito!
Espera só seu pai chegar!
Mamãe volta rapidinho!
A vacina não vai doer nada!
Se não se agasalhar, vai tomar injeção!
Não vá lá, tem bicho-papão!
Você não faz nada direito!
Não fez mais do que a obrigação!
Pára de chorar, menino!
Depois eu levo você!
Tão teimoso quanto o pai!
Seu pai não presta!
Ele nem veio te visitar!
De quem você gosta mais: do papai ou da mamãe?
Olha que o papai noel não traz presente!
Sua(seu) irmã(o)vai tão bem na escola e você não!
Não sei e não me amola!
Você é criança, não entende disso!


Infelizmente, esta é a forma menos divulgada de violência doméstica e de difícil caracterização, porque não deixa marcas visíveis de comprovação imediata, mas se torna o modo mais comum de dominação dos pais sobre seus filhos, porque esbarra na questão do processo de educação familiar, nas normas internas, no caráter disciplinado e do poder das leis e dos costumes herdados socialmente, que partem do pressuposto de que os pais são livres para educar seus filhos conforme suas crenças, valores e estilos de vida.
A criança, POR SUA VEZ, ACREDITA QUE É MERECEDOR DESSA AGRESSÃO E SENTE- SE CULPADO PELOS SENTIMENTOS DE RAIVA AGRAVADOS PELO CONFLITO AMOR - ÓDIO que sente em relação aos pais, vistos como forma de proteção e autoridade e, ao mesmo tempo, de humilhação.

ISTO É MUITO SÉRIO NA VIDA DE UMA CRIANÇA!!!!!!!!!!!

Parabêns pelo Blog.

Mônica Peterossi.

Sando disse...

Prezada mônica,

Quanta satisfação tê-la aqui no meu Blog. Nossa, adorei sua contribuição. Peço-lhe autorização para postar suas considerações... foram pertinentes e prodigiosas. Parabéns pelo comprometimento com a causa e pela sensibilidade com a qual se posiciona frente ao fenômeno da VDCA.

Abraço,

Sando

Eliane disse...

Infelismente sabemos que isso acontece toda hora e seria muito bom se cada um de nós fizessémos alguma coisa para mudar essa situação.

Beijos.